"A poesia, o teatro são desejos e o desejo não se pode transformar na destruição do sangue com o sangue".

"Um caso arquivado. Uma faísca da história da humanidade. 1828: Um grupo de estudantes liberais é executado pelo regime absolutista, acusados da morte de dois professores afectos ao regime. Esta é a base da nossa narrativa.
Um espaço selvagem, grandioso, o jardim botânico: o terreno de jogo!
É sobre esta base que inicio esta experiência com o CITAC.
O guião colocou-nos uma questão: por que ideal estaríamos prontos a fazer correr o nosso sangue ou o sangue dos outros?
Sem ser demasiado grave apesar da proposta, sem ser demasiado pesado apesar dos ecos desta história antiga na nossa situação actual, respondemos através do corpo, da imagem e da voz a este desafio, com um sorriso interior.

Sete espaços, sete peças de um espelho partido onde passado e presente se confundem. A procura do equilíbrio entre a história e este espaço poderoso que escolhemos ou entre o espaço e a história que nos abre uma série de possibilidades e temáticas, criamos a cada momento um pedaço do espelho que permite ao espectador construir a sua própria imagem .
Aquilo porque lutamos aqui, não nasceu da obscuridade do hoje mas sim dos fantasmas do ontem!

Ser estrangeiro é ser alguém que é exterior, que vai da periferia até ao centro. Sendo estrangeiro vejo o CITAC como um grupo de individuos com uma ambição, uma vontade de se construir como um colectivo, de sair desse corpo, dessa pele universitária para renascer como um grupo performativo. É o fim de um percurso, o fim de um processo.
Aquilo que partilhámos desde o nosso encontro tem a ver com aquilo que o grupo foi e com aquilo que quer ser, entre estes dois o choque do que existiu com o que será.
Para lá do resultado, inscreve-se neles e em mim, a vontade de ir para... um ideal deteatro, um ideal de vida. É o momento de deixar a casa.

Ser estrangeiro é estar para lá do centro e da periferia, é ser uma porta possível para uma outra maneira de ser.
É aceitar avançar no desconhecido, no inexplicável.
É ter mil anos e ser como um recém-nascido.
É aceitar o ódio da incompreensão do olhar do outro, a sua curiosidade, a sua admiração.
É ser também muito pequeno.
É defender a sua diferença.
É ser ele mesmo.
É afastar os hábitos.

Ser um corpo estrangeiro, estar à parte, estamos todos. É preciso vivê-lo agora.
Que a febre que nos habita para criar este espectáculo se propague nas nossas veias e contamine os caminhos futuros."

Patrick Murys

Criação Colectiva com encenação: Patrick Murys
Interpretação: Cláudio Vidal; Cheila Pereira; Gil MAC; Margarida Cabral; Paula Rita Lourenço e Zékinha
Participação especial: Elementos do Curso de Iniciação CITAC 2010/2011
Universo sonoro: Pedro Almiro e Tocata do GEFAC
Direcção técnica e desenho de luz: Nuno Patinho
Técnico de Luz: Guilherme Barbosa
Artista Plástico: Eduardo Mendes
Handyman: Gabriel Cheganças
Captação e edição de video: Rui Sérgio
Design Gráfico: Whatever TM
Produção: CITAC 2011
Financiamento: Fundação Calouste Gulbenkian
Apoios: Reitoria da Universidade de Coimbra, Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, Jornal A cabra, Máfia, CITEC-Citemor, Cooperativa Bonifrates, TEUC, RUC, DGAAC, Correntes Gasosas-Instalação de redes eléctricas, Ilídio Design.
Agradecimentos: Ricardo Seiça, José Aragão, Leonor Barata, Léonard; João Gaspar, Rafaela Carvalho, Helena Freitas, Cristina Tavares, Sr. Amândio, Tito e restantes jardineiros, Andrés Bezares, Cláudia Pinto, António Costa, Cecile Briand, António Correia, Maria do Carmo Lourenço, Olga Cabral, Joana Bem-Haja, Moisés Esteves, UCV, TVAAC; Filarmónica União Taveirense.

Inserido na XIII Semana Cultural da Universidade de Coimbra.

O CITAC dedica este espectáculo ao primo João Viegas, por nos ter apresentado o episódio dos Divodignos e um guião que foi o nosso ponto de partida. Agradecemos-lhe o apoio incondicional, a amizade, a camaradagem e por ter sido o Citaquiano que em 1974 deu o pontapé na porta selada pela PIDE e fez renascer o imenso CITAC.

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